Um encontro improvável entre o predador da noite e o mais racional dos caçadores
O conde Drácula percorria as noites de Londres.
Observava as ruas nevoentas, escutava os passos apressados dos mortais e se detinha, com certo desdém, nos rumores sobre Jack, O Estripador, um assassino que aterrorizava Whitechapel. Ao mesmo tempo, acompanhava a distância outro tipo de caçador: um sujeito magro, de sobretudo escuro e chapéu característico, que caminhava com uma lupa na mão, investigava o solo e interrogava desconhecidos, retornando sempre ao mesmo ponto, como se fosse incapaz de aceitar o fracasso.
Drácula não demorou a descobrir que o nome desse caçador era Sherlock Holmes.
Numa certa noite, porém, a monotonia ficou para trás.
Drácula percebeu um desvio na rotina do detetive.
Holmes estava segurando um lenço fino, analisando-o com interesse incomum e murmurando para si mesmo:
— Um erro… finalmente!
Curioso, o conde decidiu segui-lo até um beco mais fechado, onde a névoa se adensava como um palco preparado para as cenas mais imprevisíveis.
Holmes avançou sem aviso.
— Renda-se! — gritou.
O ataque foi rápido, preciso, mas inútil.
Drácula se esquivou do golpe com facilidade, conteve o detetive e o imobilizou contra a parede de tijolos nus.
— Não devia ter me atacado — disse calmamente. — O senhor se precipitou.
Holmes entendeu imediatamente o que estava acontecendo.
— Você não é Jack.
Drácula o soltou.
— Evidentemente.
O detetive procurava demonstrar que não havia perdido a compostura.
— Então o que faz aqui?
— Gosto de passear à noite — respondeu o conde. — Ontem o seu assassino esteve no cais. Hesitou antes de agir.
Holmes estreitou os olhos.
— Hesitação implica padrão.
— E padrões podem ser rastreados — completou Drácula.
Houve um breve silêncio, tenso e curioso.
— Com quem tenho o prazer falar? — perguntou Holmes.
O conde inclinou levemente a cabeça.
— Com um humilde conde da Transilvânia.
— Um conde que passeia à noite, luta com destreza e oferece pistas melhores do que a polícia de Londres — disse Holmes, com humor. — Confesso que é uma rara combinação.
Drácula permitiu-se um sorriso discreto.
— Londres tem se esforçado para me surpreender.
Holmes ajustou as luvas, já voltando mentalmente ao caso.
— Pois muito bem — disse Holmes, ajustando as luvas e voltando mentalmente ao caso.
— Se continuar colaborando, talvez eu me acostume com a ideia.
— Você acha que captura Jack na noite de hoje?
— Boa pergunta — respondeu Holmes, afastando-se pela névoa. — Mas é elementar, meu caro conde.
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