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Crônica | Promessas e mais promessas

Crônica | Promessas e mais promessas

Por que teimamos em fazer promessas que não vamos cumprir?

Todo início de ano é a mesma coisa. Fazemos promessas de diversas coisas que pretendemos realizar ao longo dos próximos meses. Elas variam, mas muitas se repetem. Envolvem encontrar o amor, um novo emprego, ganhar dinheiro, comprar uma casa. Todo mundo tem sonhos. E a virada do ano traz consigo uma carga quase inevitável de expectativas.

Mas por que isso acontece? Talvez porque o início de um novo ano represente, simbolicamente, a chance de reiniciar do zero velhas tentativas que insistimos em repetir. Perder peso indo à academia. Poupar algum dinheiro para não viver na pindaíba. Mudar hábitos que nos acompanham há anos. No fundo, fazemos promessas porque acreditamos — ou queremos acreditar — que podemos corrigir rumos, melhorar como pessoas, nos tornar uma versão melhor.

Essa esperança não é desprezível. Pelo contrário. Ela diz algo importante sobre nós: ainda não desistimos. Nós ainda não desistimos de nós mesmos.

O problema é que esperança, sozinha, não sustenta promessa nenhuma. Vontade, isolada, também não. É preciso algo a mais: um pouco de ação e bastante disciplina. Caso contrário, tudo permanece no confortável território do desejo, onde nada realmente acontece.

Nietzsche, como sempre, ajuda a pensar isso. Para ele, não basta querer. É preciso vontade de poder — essa força vital que nos empurra para a ação, para a superação de nós mesmos. Prometer, nesse sentido, é fácil. Difícil é sustentar a promessa quando ela começa a exigir esforço, renúncia, desconforto. Sem brio, sem inquietação real, as promessas continuam existindo apenas no mundo das ideias — bonitas, bem formuladas e completamente inofensivas.

Confesso que não sei exatamente por que as pessoas fazem tantas promessas sabendo que, muito provavelmente, não vão cumpri-las. Mas sei que eu também faço as minhas. Uma delas foi escrever textos semanais para este blog. Não é pouca coisa. Imagine: mais de cinquenta textos em um único ano. Algo em torno de trinta mil palavras.

É um compromisso. E compromissos só fazem sentido quando aceitamos que eles exigem constância, não entusiasmo passageiro. Quem está lendo este texto pode ter certeza de que outros virão. Não porque prometi, mas porque decidi agir.

Escrever toda semana talvez seja minha forma de parar de prometer e começar a agir.

E você? Vai continuar apenas prometendo — e se enganando — ou vai começar a agir Talvez todos que realmente desejam cumprir suas promessas precisem fazer exatamente isso.

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